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Michelangelo e o Anatomista

Século XVI, Roma, o Papa Paulo III havia morrido. Mateo Colombo, brilhante Anatomista, médico pessoal do Papa, olhava pela janela, aguardando o resultado da reunião do Colégio de Cardeais. O encontro, para decidir quem seria o novo Papa, acontecia em um lugar muito especial, a Capela Sistina. Exatamente à meia noite, a chaminé da Basílica de São Pedro soltou uma leve coluna de fumaça branca. Todos os sinos do Vaticano dobraram e multidões vieram para a Praça de São Pedro. O Cardeal Caraffa agora era o Papa Paulo IV. Mateo Colombo estava surpreso e preocupado com a escolha feita pelo Colégio de Cardeais.  O Cardeal Caraffa foi quem presidiu o tribunal do Santo Ofício, a Inquisição, que o queria mandar para a fogueira por um injusto motivo. Mateo como anatomista havia descoberto a fisiologia do amor feminino, sabia como funcionava o corpo das mulheres. Só foi salvo da fogueira por que passou a ser o médico do Papa Paulo III. Agora que seu protetor havia morrido, só lhe restava fugir. Assim era aquele tempo, de um extremo moralismo, onde quebrar as regras podia significar a morte.   (Modificado de O Anatomista, Federico Andaluzi).

Mateo Colombo fugiu, mas antes procurou um outro anatomista, que era também pintor, escultor e arquiteto, seu amigo, Michelangelo Buonarrotti. Alertou a Michelangelo, que as pinturas que ele havia feito para a Capela Sistina, causavam grande perplexidade e fúria dos poderosos. Eram admiradas pelas multidões, mas havia muitos nus representados, que causava reações entre os conservadores. Agora, que o Inquisidor tinha o poder, ele deveria fugir, senão poderia acabar na fogueira.

Michelangelo respondeu que a sua obra não mais lhe pertencia, era de todos, e a massa de admiradores anônimos haveria de salvá-lo. E Mateo fugiu e Michelangelo ficou.

Michelangelo era muito respeitado e chamado pelo povo de “Divino”. Paulo IV, atento a isso, acabou realmente protegendo Michelangelo pelo que ele representava.

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A Criação de Adão

Teto da Capela Sistina, Vaticano

Michelangelo Buonarrotti

A Criação é um dos mais famosos trabalhos da história da arte. É a representação de Deus, vindo do Cosmos, para dar vida ao homem. Tem a originalidade que leva a arte a uma nova direção. A representação do rosto de Deus, com grave severidade, passou a fazer parte do imaginário das pessoas como a representação física do inexplicável.

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A Criação de Adão (detalhe das mãos)

Teto da Capela Sistina, Vaticano

Michelangelo Buonarrotti

As mãos, pintadas como se fossem esculturas gregas, parecem ser condutoras de eletricidade. É a capacidade do toque em trazer vida. É a mão forte que emana e transfere e é a mão receptiva. Mas as duas mãos, em atitudes diferentes de poder incomensurável e aceitação respeitosa, mostram uma dignidade única.  Remete-nos na referência da História Bíblica ao melhor do relacionamento humano, o milagre de dar e receber energia.

Michelangelo Buonarrotti nasceu em Farneze, perto de Arezzo , em 1475, mesmo ano em que se iniciava a construção da Capela Sistina. Mudou ainda criança para Florença. Aos 13 anos foi estudar com Domênico Ghirlandaio, um dos mais importantes pintores de afrescos da Toscânia. Logo seus desenhos suplantavam os do mestre. Seus dotes artísticos são reconhecidos e é então convidado para a escola de Pintura de Lourenço de Médici. Nos jardins dos Médicis havia uma das maiores coleções de Arte Clássica Romana e Grega que o jovem logo aprendeu a admirar.

Michelangelo conseguiu uma permissão especial para dissecar cadáveres na igreja de Santo Spirito em Florença. Com isso conseguiu um conhecimento que o transformou, mesmo sem intenção, em um dos grandes anatomistas. Conhecia cada músculo, tendão ou veia do corpo humano, e mais do que isso, conhecia os movimentos. Isso permitiu que conseguisse a perfeição das formas que pintava ou esculpia. Michelangelo não pintava paisagens ou retratos, as suas obras foram dedicadas à beleza do corpo humano, que ele admirava.

Aos 25 anos esculpiu a Pietá, uma obra emocionante, que se encontra no interior da Catedral de São Pedro. Logo depois, com 26 anos, criou “O David”, uma das mais conhecidas e admiradas esculturas. Esta peça, de grandes proporções, tem 4,3 metros de altura, estava originalmente no exterior do Palazzo Vecchio em Florença. Hoje se encontra no Museu Accademia.

A Capela Sistina é assim chamada porque foi construída pelo Papa Sisto VI. Foi decorada por pintores renascentistas importantes, como Botticelli, Perugino, Ghirlandaio e Signorelli. O Papa Julio II contratou Michelangelo para pintar o teto da capela. A princípio ele recusou, porque preferia esculpir. Algum tempo depois, como que iluminado, aceitou a incumbência.

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Adão e Eva

Teto da Capela Sistina, Vaticano

Michelangelo Buonarrotti

A representação de Adão e Eva causou escândalo e perplexidade em uma época em que o conceito de liberdade de expressão não era nem sequer considerado. A beleza plástica da obra a salvou e ao seu autor. Fosse este um trabalho menor e teria ido para a fogueira junto com seu criador. 

Com 33 anos começou a pintar o teto da Capela Sistina, sua obra mais impressionante.  Retirou-se para dentro da capela, onde ficou 4 anos, sozinho, de 1508 a 1512.  Criou uma maravilha da História da Arte. No dia da apresentação pública, uma multidão veio ao Vaticano visitar a obra, que até hoje deixa admirados milhões de pessoas.

Quando tinha 61 anos foi contratado para voltar à Capela e pintar o maior afresco da Renascença, outra obra incrível, o “Juízo Final”, numa parede do fundo.

O “Juízo Final”, por causa dos nus, quase foi destruído pela Inquisição. Os hipócritas da época decidiram chamar um pintor secundário, Daniel de Volterra, que teve a coragem de profanar uma obra prima. Volterra, eu diria o último dos artistas, colocou roupas nos nus da pintura de Michelangelo e merecidamente, foi ridicularizado. Esta triste figura, junto com seus auxiliares, ficou conhecido na história como “Os Tapa Traseiros”. Esse episódio, hoje considerado engraçado, foi de grande dramaticidade.  Michelangelo, sim, havia transgredido, mas de uma forma tão perfeita, tão bela, que causava admiração mesmo entre os inquisidores, que só por isso o pouparam.

A Capela continua sendo usada, como no passado, para a mais importante das reuniões do Vaticano, a do Conselho de Cardeais que escolhe o novo Papa.

A Capela Sistina tem 520 m2 de área e 20 metros de altura. Michelangelo pintava o teto do alto de um andaime, de pé, com a cabeça estendida. É fácil imaginar o grande esforço físico de um homem que precisou ficar por vários anos trabalhando nesta posição.

No centro do teto estão pintadas passagens bíblicas como A Criação do Mundo, A Criação de Adão, A Expulsão do Paraíso, O Diluvio e A Separação da Luz e das Trevas. Nas laterais do teto, estão os Profetas, As Sibilas (profetizas Gregas e Romanas que se expressavam por enigmas) e a história de David e Golias.

Fotografias não permitem uma idéia verdadeira da beleza desta obra. Quando a olhamos pessoalmente, o conjunto tem uma Harmonia sem igual, uma grande leveza. As imagens parecem saltar da parede, como se fossem tridimensionais, como se o desejo de esculpir do autor, houvesse se materializado na pintura. O fantástico deste trabalho deixa as obras dos outros pintores, colocadas nas paredes laterais, em posição secundária, menor. Estas outras obras são também grandiosas mas tiveram a infelicidade de estar ao lado do genial. O trabalho de Buonarrotti na Capela Sistina torna verdadeira a definição que diz: “É Belo quando não podemos adicionar nada e nada retirar sem quebrar a Harmonia”.

Na Capela Sistina, quando se olha para cima, se tem a impressão de entrar em outro mundo, um mundo mágico, emocionante, celestial. As figuras bíblicas estão representadas como seres terrenos, mas a atmosfera é cósmica, Divina.

A técnica que Michelangelo usou nas pinturas da mais famosa Capela, foi o Afresco. O artista aplicava duas camadas de gesso sobre a superfície a ser pintada. Depois, uma nova camada de gesso úmido era colocada, mas só na área que seria pintada no dia. A tinta utilizada sobre o gesso úmido reagia e ficava com cores mais nítidas e também oferecia uma maior durabilidade. As cores usadas eram claras e brilhantes, no entanto a poluição e o tempo escureceram toda a pintura. A Capela Sistina começou a ser restaurada em 1980 sob o patrocínio, excelente ação que deve ser divulgada, da Nippon japonesa. O trabalho, que Michelangelo fez sozinho em 4 anos, precisou de vários artistas e a mais moderna tecnologia para ser recuperado e necessitou 12 anos de esforço.

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O David

Museu de La Accademia, Florença

Michelangelo Buonarrotti

Esta estátua pretendia representar o poder e a determinação da República de Florença, que sofria ataques constantes de usurpadores. A estética Greco-Romana, presente e melhorada, caracteriza o período conhecido como Alto Renascimento.

No trabalho da Capela Sistina, Michelângelo primeiro fazia um desenho, passava o desenho para a parede então pintava. Estes desenhos foram coletados na Casa Buonarroti, um museu em Florença onde era a moradia da família de Michelângelo.

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A Pietá

Basílica de São Pedro, Vaticano

Michelangelo Buonarrotti

A perfeição estética do conjunto desta escultura nunca mais seria igualada na historia. O rosto da Virgem é jovem e belo e representa o ideal da beleza feminina na concepção de Michelangelo. A delicadeza das linhas do rosto é o principal ponto. A perfeição anatômica do braço de Cristo reflete os estudos de anatomia que o autor fazia quando criou esta obra.

Michelangelo Buonarrotti, mago florentino, criador de magia na arte, vivia sem luxo, no meio à sujeira das tintas, formões, lascas de pedras e fôrmas de bronze. Vivia no feio que depois de lapidado transformava em Arte. Lembra, usando suas palavras, que a estátua, assim como o Homem, não nascem feitas, são brutas e a beleza de sua natureza só aparece quando retirada a pedra que a recobre. 

Mateo Colombo precisou fugir, era brilhante, mas lhe faltou coragem.  Michelangelo ficou, porque precisava ficar, precisava esculpir, pintar, eternizar.

 

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