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Uma Breve História da Frágil Revolucionária e do Sapo Genial

Frida Kahlo e Rivera

O Cenário

No México de 1910, a diferença social era marcante. Enquanto alguns proprietários de terra, milionários, dominavam extensões de mais de um milhão de quilômetros quadrados, a grande massa de camponeses não possuía o mínimo para sobreviver. Neste cenário de diferenças ocorreu a primeira revolução do mundo moderno, que prenunciaria a revolução Russa. Francisco Villa e Emiliano Zapata fizeram a sangrenta revolução popular. Nos tempos que se seguiram, houve o Renascimento Mexicano, o país estava fervilhante de arte, criação e novidades.  Representava uma abertura para os povos oprimidos da América Latina. A terra devastada, pela violenta guerra civil, exibia agora uma esperança de liberdade.

Frida Kahlo Por Nickolas Muray 1938 (21kb)

Frida Kahlo

1938

Fotografada por Nickolas Muray

A Origem

Frida Kahlo nasceu em 1913, mas a sua identificação com a revolução mexicana era tão grande, que dizia haver nascido em 1910. A revolução mexicana encontrou Frida com 3 anos, brincando na “Casa Azul” de Coyoacán, construída por seus pais.  Filha de Wilhelm Kahlo, judeu húngaro e Matilde, mexicana, descendente de espanhóis e de índios. A mistura étnica lhe deu uma imagem única, mas a forte ligação com o México não deixou espaços para aculturações das metrópoles.

Diego Rivera, com 24 anos assistiu aos acontecimentos da revolução de longe, de Paris, para onde havia ido conhecer o Cubismo. Diego, mestiço, o que lhe dava muito orgulho, nasceu em Guanajuato, em 1886. Os pais eram professores. O Avô paterno era russo. Já com 10 anos de idade demonstrava ser pintor, e foi estudar na Academia de San Carlos, a mais respeitada escola de arte do México.

Moses Frida Kahlo 1945  (175kb)

Moses

Frida Kahlo

1945

Inspirada em Freud, a artista expõe seus próprios fantasmas

 

A Imagem

Frida Kahlo, aos 6 anos de idade teve poliomielite que a deixou permanentemente com uma seqüela em uma das pernas. Aos 20 anos sofreu grave acidente que provocaram lesões que causaram dores e problemas por toda a sua vida. Mas Frida, era muito bonita e delicada. Ostentava uma sensualidade selvagem, vinda de seu lado índio, que fazia questão de demonstrar com suas roupas e adereços típicos.

Rivera era muito alto, gordo e feio. Chamava a si mesmo “O Sapo-Rã’. Ellie Faure, médico e prestigioso escritor francês o descreveu: “Conheci Diego Rivera em Paris, contou-me coisas fantásticas sobre o México, onde nascera, sua inteligência era quase sobrenatural...”. Diego era um gênio.

A Coluna Partida Frida Kahlo 1944  (53kb)

A Coluna Partida

Frida Kahlo

1944

Uma coluna jônica, partida mostra o sofrimento de Frida com os problemas de coluna. Uma impressionante representação da dor.

O Encontro

Tina Modotti, fotógrafa americana, ativista do partido comunista, e que lutou na guerra civil espanhola, apresentou Kahlo à Rivera. Rivera, que já era famoso,  viu os quadros de Frida e ficou impressionado. “Ela tem uma personalidade artística própria...”, afirmou. Em 1928, Frida, com 21 anos , entra para o comunismo e reencontra Rivera, que então com 42 anos, é dirigente do partido. Casaram-se no ano seguinte.

O Comunismo

A revolução bolchevique levou Lênin ao poder em 1917. Dois auxiliares de Lênin cresciam na máquina soviética. Stalin na política e Trotski no exército. A morte de Lênin em 1924 precipitou uma luta entre os dois pelo poder. Ganhou Stalin, Trotski foi expulso do partido comunista em 1927 e do país em 1929.  Trotski foi exilado no México em 1937, e foi recebido e hospedado por Kahlo e Rivera na “Casa Azul” de Coyoacán.

A atividade de Rivera e Frida no partido comunista foi complexa, Rivera não aceitava dogmas, nem mesmo os dogmas comunistas. Frida acompanhava Rivera, embora tivesse posições próprias. Rivera era na verdade um humanista e um homem livre que procurava através do marxismo exercer o seu amor pelos mais oprimidos de sua terra, e considerava este um caminho justo. Mas como todos os que acreditam na liberdade foi incompreendido. Nos Estados Unidos teve a coragem de pintar Lênin, em um mural encomendado pelos Rockfeller, em Nova York. O mural foi destruído e Rivera despedido. Rivera foi expulso do partido comunista justamente por ter aceitado pedidos dos americanos. Aliou-se à Trotski, que já era oposição ao regime comunista de Moscou. Voltou depois ao partido comunista. Era na verdade um liberal, um anarquista, um artista em luta contra a hipocrisia. Seu tema foi sempre nacionalista, procurou o comunismo, porque naquele momento esse era o melhor caminho, era a posição esperada de intelectuais preocupados com a melhoria de vida da maioria. Ser comunista naquele momento da história era o erro correto.

A Relação

A relação amorosa de Rivera e Frida foi muito confusa, os dois tiveram inúmeros casos, alguns tempestuosos, mas não conseguiam se afastar um do outro. Frida teve um romance com Trotski e Rivera um caso com a irmã de Frida. Frida procurou, durante sua vida, conquistar a liberdade sexual, que Rivera sempre praticou. As liberdades que se permitiram, fariam corar até os mais liberais de hoje. Divorciaram-se em 1939, mas casaram-se novamente em 1940. Não foram personagens de uma história de amor romântica, onde a dedicação apenas de um para o outro é o principal ingrediente, mas tiveram uma rara interdependência positiva da relação entre homem e mulher, onde juntos cresciam e se tornavam muito maiores do que quando sós.

A Arte de Diego Rivera

Diego Rivera foi um dos grandes pintores muralistas mexicanos. Nos 10 anos que passou na Europa estudou Goya e El Greco. Conheceu pessoalmente Picasso e Griss e teve uma pequena experiência cubista. Foi na Itália que conheceu os afrescos de Giotto, que lhe serviram de inspiração para a pintura revolucionária e pública que iniciou na sua volta para o México. Rivera só encontrou seu caminho aos 35 anos, quando retornou ao México. O seu trabalho evoluiu do experimental do início do século, para uma técnica própria, com influências das cores de Gauguin e da técnica de Giotto. Os grandes murais, alguns com até 1600 metros quadrados foram sua marca. Com David Siqueiros e Clemente Orozco representou a vanguarda intelectual mexicana, voltada para o nacionalismo. Ilustrou o “Canto General”, o poema épico de Pablo Neruda. Influenciou o brasileiro Portinari.

A Eira Diego Rivera 1904 (51kb)

A Eira

Diego Rivera

1904

Um dos trabalhos iniciais de Rivera.

A Arte de Frida Kahlo

Frida começou a pintar quase por acaso, quando conheceu Rivera foi estimulada a continuar. Seus quadros têm o fantástico, que muitos procuram enquadrar como surrealista, o que é um erro. Enquanto os surrealistas pintavam o subconsciente, o escondido, o sonho, o irreal, Frida pinta as emoções que passou em sua vida. A doença sempre esteve presente em sua obra. Dores na coluna por causa do acidente, a poliomielite, abortos, o desejo da maternidade que nunca realizou, as freqüentes internações. O fantástico em Frida é o real, o consciente. A sua pintura é única, é quase uma biografia de paixão e dor. André Breton escreveu: “A Arte de Frida Kahlo é um garrote em torno de uma bomba”. Frida impressiona! A sua frágil figura contrasta com a força de sua procura por liberdade. A sua fraqueza física não a impediu de lutar contra a doença dos povos, a opressão dos mais fracos. Kahlo é considerada hoje a mais importante artista latino-americana, seus quadros são vendidos por milhões de dólares.

Manifestação de Primeiro de Maio em Moscou Diego Rivera 1956  (39kb)

Manifestação de Primeiro de Maio em Moscou

Diego Rivera

1956

As cores dão dramaticidade na expressão coletiva

O Final

Frida Kahlo teve complicações circulatórias em sua perna e precisou ser amputada na altura do joelho, aos 46 anos. No ano seguinte tem os primeiros sinais problemas pulmonares. Contrariando os médicos, participa de uma manifestação contra a intervenção americana na Guatemala. Alguns dias depois, em 13 de Julho de 1954, morre por embolia de pulmão. Suas cinzas, conforme seu desejo estão na “Casa Azul”, hoje Museu Frida Kahlo.

Rivera morre 3 anos depois, em 24 de Novembro de 1957. É sepultado no “Pantéon dos Homens Ilustres”, contrariando seu desejo de repousar junto com Frida Kahlo.

Frida Kahlo e Diego Rivera

Participaram juntos da luta do povo mexicano. Rivera pintou a história e sofrimento do seu povo. Frida pintou sua própria história e sua própria tristeza. Frida Kahlo e Diego Rivera haviam de ficar juntos para sempre.

Frida Kahlo e Diego Rivera em manifestação de primeiro de maio de 1929 no méxico (33kb)

Frida Kahlo e Diego Rivera em manifestação de 1º de Maio de 1929, no México.

Tina Modotti

 

 

 

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